
Edição Online - 05/01/2008
Pesquisa FAPESP - Notícias
© Museu Goeldi
Página de livro sobre borboletas de Pierre Cramer: um dos 65 exemplares de obras raras furtadas do museu
Em dezembro foram furtados 40 títulos (65 exemplares) da Coleção de Obras Raras da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém, Pará. As publicações da mais antiga instituição de pesquisa do Norte do Brasil datam dos séculos XVII, XVIII e XIX. Dentre elas, destacam-se infólios de Des Murs, Hernandez, Meriaen, Mikan, Piso, Pohl, Sagra, Spix e Wied-Neuwied. “O valor monetário calculado para o infólios roubados é de US$ 200 mil”, avalia o diretor em exercício do Goeldi, Nelson Sanjad. Infólios são folhas de impressão dobradas ao meio que geram cadernos de quatro páginas.
O furto foi descoberto durante treinamento para manuseio e curadoria das coleções no dia 17 de dezembro, de acordo com informações da Agência Museu Goeldi. No dia seguinte, três delegados da Policia Federal iniciaram a investigação do caso, com a instauração de inquérito policial. Servidores, funcionários, bolsistas e funcionários terceirizados do museu serão ouvidos. Abriu-se uma sindicância interna e os órgãos que atuam no combate ao comércio ilegal de obras raras foram avisados.
O Museu Goeldi tem 142 anos e é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A instituição produz, organiza e difunde conhecimentos e acervos sobre os sistemas naturais e socioculturais da Amazônia. Seu acervo é composto por 2 mil obras raras – incluindo as furtadas – que focalizam a natureza e as culturas das Américas Central e do Sul, com ênfase na Amazônia e outras regiões do Brasil.
“Há duas marcas que distinguem todos os livros furtados: um carimbo e uma marca d'água da biblioteca, colocados sempre na página de rosto. Em alguns livros, o carimbo também aparece em outras páginas”, diz Nelson Sanjad. Informações sobre as obras devem ser encaminhadas à Polícia Federal (tel. 91-3214-8014)ou ao Museu Goeldi (91-3274-1811).
“A Interpol já foi acionada e também pedimos ampla divulgação para o Conselho Internacional de Museus (Icom), International Federation of Library Associations and Institutions (Ifla), American Library Association (ALA), Museum Security Network e Antiquarian Book Association of America (ABAA)”, conta Sanjad. “Vamos iniciar agora a divulgação para as casas de leilão, inclusive as que funcionam na internet.” No site do museu há mais informações sobre o roubo.
http://www.museu-goeldi.br/

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