segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Associação Brasileira de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais
TEMA CENTRAL
Preservação do Patrimônio Cultural:
Ética e Responsabilidade Social
A ABRACOR - Associação Brasileira de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais há 27 anos vem atuando com o objetivo de congregar e apoiar o profissional conservador-restaurador na defesa de seus interesses comuns e promover o desenvolvimento da conservação e restauração de bens culturais.
Desde 1986 a ABRACOR promove encontros da categoria, facilitando o intercâmbio de experiências nacionais e internacionais e o debate de problemas. O próximo congresso, em abril de 2009, será realizado em Porto Alegre em parceria com a Associação de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais do Rio Grande do Sul (ACOR-RS) e contará com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Mais informações : http://www.abracor.com.br/
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Polícia federal investiga sumiço de livros e infólios da mais antiga instituição de pesquisa do Norte do país

Edição Online - 05/01/2008
Pesquisa FAPESP - Notícias
© Museu Goeldi
Página de livro sobre borboletas de Pierre Cramer: um dos 65 exemplares de obras raras furtadas do museu
Em dezembro foram furtados 40 títulos (65 exemplares) da Coleção de Obras Raras da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém, Pará. As publicações da mais antiga instituição de pesquisa do Norte do Brasil datam dos séculos XVII, XVIII e XIX. Dentre elas, destacam-se infólios de Des Murs, Hernandez, Meriaen, Mikan, Piso, Pohl, Sagra, Spix e Wied-Neuwied. “O valor monetário calculado para o infólios roubados é de US$ 200 mil”, avalia o diretor em exercício do Goeldi, Nelson Sanjad. Infólios são folhas de impressão dobradas ao meio que geram cadernos de quatro páginas.
O furto foi descoberto durante treinamento para manuseio e curadoria das coleções no dia 17 de dezembro, de acordo com informações da Agência Museu Goeldi. No dia seguinte, três delegados da Policia Federal iniciaram a investigação do caso, com a instauração de inquérito policial. Servidores, funcionários, bolsistas e funcionários terceirizados do museu serão ouvidos. Abriu-se uma sindicância interna e os órgãos que atuam no combate ao comércio ilegal de obras raras foram avisados.
O Museu Goeldi tem 142 anos e é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A instituição produz, organiza e difunde conhecimentos e acervos sobre os sistemas naturais e socioculturais da Amazônia. Seu acervo é composto por 2 mil obras raras – incluindo as furtadas – que focalizam a natureza e as culturas das Américas Central e do Sul, com ênfase na Amazônia e outras regiões do Brasil.
“Há duas marcas que distinguem todos os livros furtados: um carimbo e uma marca d'água da biblioteca, colocados sempre na página de rosto. Em alguns livros, o carimbo também aparece em outras páginas”, diz Nelson Sanjad. Informações sobre as obras devem ser encaminhadas à Polícia Federal (tel. 91-3214-8014)ou ao Museu Goeldi (91-3274-1811).
“A Interpol já foi acionada e também pedimos ampla divulgação para o Conselho Internacional de Museus (Icom), International Federation of Library Associations and Institutions (Ifla), American Library Association (ALA), Museum Security Network e Antiquarian Book Association of America (ABAA)”, conta Sanjad. “Vamos iniciar agora a divulgação para as casas de leilão, inclusive as que funcionam na internet.” No site do museu há mais informações sobre o roubo.
http://www.museu-goeldi.br/
domingo, 18 de janeiro de 2009
Obra de arte é revelada a partir de restauro na Igreja do Carmo

Por Humberto Maia Junior, do Estado de S.Paulo
Pintura até então invisível do padre Jesuíno do Monte Carmelo é restaurada, resgatando a arte barroca de São Paulo Primeiro, apareceu a boca - vermelha. Em seguida, a raspagem do forro da Igreja do Carmo, no centro de São Paulo, revelou um nariz, as mãos. Pelos traços do pincel, não restaram dúvidas. A “pintura invisível” de padre Jesuíno do Monte Carmelo não era uma lenda. Embaixo de uma pintura grosseira no forro da nave da igreja do século XVIII, há um trabalho do artista barroco, como desconfiava o poeta Mario de Andrade, há seis décadas.
Restauradores encontraram a imagem de Nossa Senhora do Carmo, de mãos entrelaçadas junto ao peito, rodeada por anjos e querubins. “Me parece ser a melhor pintura dele”, disse o coordenador dos trabalhos na igreja, o restaurador artístico Julio Moraes, que considera o padre Jesuíno - artista nascido em Santos no dia 25 de março de 1764 - um dos principais nomes da arte paulista da época colonial. “Sabemos como era o barroco no Rio, em Minas e na Bahia. Mas temos poucas informações sobre como se pintava em São Paulo no século XVIII.”
Naquela época, segundo o historiador do Iphan Carlos Cerqueira, a riqueza ainda não estava na capital, e sim em Itu, que prosperava com a produção de açúcar, e Santos, por onde a produção era exportada. “A população crescia lentamente. Viviam em São Paulo comerciantes, funcionários públicos e militares.”
Para Cerqueira, autor do projeto "A Pintura Invisível do Padre Jesuíno do Monte Carmelo: Resgate de uma Pintura Colonial Paulista", a obra foi feita entre 1796 e 1798. “O resgate dessa obra é importante para a história da arte paulista e brasileira.” Ele disse não saber quem fez a pintura que encobriu o trabalho de Jesuíno. “Suspeita-se que tenha sido entre o fim do século XIX e começo do XX.” Quando a obra original foi feita, explicou, utilizava-se verniz que reforçava as cores. Com o tempo, o verniz escurece a obra. “Não havia tecnologia para restauração.” O usual era contratar um artista para refazer a pintura.
O trabalho para comprovar a existência da pintura começou em 2007, quando o Iphan contratou a empresa de Moraes, especializada em restaurações artísticas. Primeiro, foram abertos pequenos pontos no forro para ver se havia pintura escondida. No fim de agosto, os restauradores começaram a segunda etapa: relevar 12 metros quadrados da obra, no centro do forro da nave. O trabalho deve terminar em duas semanas. O processo é lento. Com bisturi e solventes, os restauradores raspam a pintura externa, até aparecer o que está por baixo. “É um trabalho minucioso que exige paciência”, diz o restaurador Toni Dorta.
A primeira fase custou cerca de R$ 32 mil. Terminada a etapa, Cerqueira vai tentar a aprovação de outro projeto: revelar toda a obra de Jesuíno no forro da nave da igreja.
Moraes e Cerqueira sabem que há um terceiro trabalho: no altar-mor (onde o padre celebra a missa), prospecções levaram à descoberta de que há uma obra embaixo das pinturas do padre Jesuíno. Possivelmente, o autor seja o padre José Patrício da Silva Manso, de quem Jesuíno era discípulo. “Ela deve ter sido pintada por volta de 1795”, diz o historiador do Iphan.
O dilema: o que fazer? “Estamos numa situação difícil”, diz Moraes. “Ninguém vai destruir a pintura do Jesuíno. Mas vamos ficar curiosos.” Para saber o que há embaixo, é necessário utilizar um processo chamado reflectografia em infravermelho, que permitirá fotografar a outra “pintura invisível.”
Fonte: Estado de S.Paulo
Imagens: Para ver imagens da obra restaurada, veja matéria transmitida pelo SP TV
Publicado em: 04/01/2009

